| retrospectiva 2008
Os filmes mais destacados por Cinética em 2008 Trechos
dos textos publicados pela redação da revista sobre os dez filmes mais citados
entre os lançamentos no circuito comercial compilação
de Paulo Santos Lima Serras da Desordem,
de Andrea Tonacci "É
daqueles trabalhos que reconfiguram a percepção e o entendimento do cinema, como
uma antena que capta energias secretas do mundo. Não tem vocação para cânone,
não cria escola, não se restringe a contemplar com brilho uma linguagem do cinema" Francis
Vogner dos Reis
 "Sua
mistura singular entre o registro documental e ficcional, a utilização dos próprios
personagens na reencenação de sua história (ecos tardios de Robert Flaherty?),
os planos-seqüência dilatados no registro da vida primitiva, as seqüências de
montagem e sobreposições de imagens, tudo colabora para uma experiência de imersão
nesse registro audiovisual." Leonardo Mecchi
Não
Estou Lá, de Todd Haynes
 "Talvez
seja sobre a dificuldade de se estabelecer essas relações sem cair em reducionismos
e em atendimento aos famintos por organização, porque o múltiplo sempre oferta
chaves nem sempre compatíveis com as fechaduras, porque a efemeridade de determinadas
autorias acaba por colocá-las em questão, porque é mais cômodo acreditar em unidades
indivisíveis. Não Estou Lá canta em imagens seu momento histórico sem querer
negá-lo, mas sim absorvê-lo e devolvê-lo a nós em forma de arte." Cléber
Eduardo
A Questão Humana, de Nicolas Klotz "Em
uma contemporaneidade muito marcada por instâncias narrativas empenhadas em não
assumir um lado ou um ponto de vista, Klotz deixa claro de onde fala e filma,
sem fazer dessa atitude uma militância política antes de ser uma política de cinema,
um problema para ser resolvido na confecção do filme." Cléber Eduardo
 "Klotz
confirma aqui o que já estava claro no filme anterior: seu cinema é um de tintas
políticas inegáveis, mas ao contrário de um Costa-Gavras ou de um Ken Loach, Klotz
compreende que ao cinema não bastam os grandes temas, pede-se que a política esteja
também na forma de um filme para que ele seja realmente profundo." Eduardo
Valente
 "A
gravidade estilística de Klotz, para ser rigoroso, é de poderoso efeito estético.
Suas cenas nos deixam com a sensação segura de estarmos diante de um cineasta
com olho e noção de espaço, um cultor das formas bem acabadas, dos atores com
lugar certo para ficar, do lugar preciso onde deve estar a câmera." Cléber
Eduardo
Falsa Loura, de Carlos Reichenbach
 "Carlos
Reichenbach compõe com seu elenco a mais intra-uterina crítica audiovisual já
realizada no Brasil sobre o estatuto da imagem melodramática e a representação
dos afetos femininos (e por feminino, por si só, já encontramos uma categoria
de cena), nos últimos 30 anos de teledramaturgia e da cultura de massa no Brasil." Felipe
Bragança
Paranoid Park, de Gus Van Sant "A
beleza de Paranoid Park se forma assim, da combinação de aspectos densos do roteiro
(ou do texto original) com a maturidade e o apetite criativo de um cineasta que
continua olhando pra frente, filme após filme." Leonardo Sette
 “Mas
a principal mudança está no olhar para os personagens. Se antes mantinha um registro
concentrado somente na superfície dos corpos e nos sinais da existência, mostrando-nos
uma relação direta entre as imagens e as coisas filmadas, em Paranoid Park
o olhar é híbrido. Entre a imagem e as coisas, talvez haja uma camada intermediária.
Alguns closes no protagonista e uma tentativa de expressá-lo, sobretudo por meio
da estilização e do desenho de som, empregados para criar um registro para a percepção
dele nos mometos mostrados, nos levam a ver uma “imagem em busca”. Cléber
Eduardo
A Fronteira da Alvorada, de Philippe
Garrel
 "Num
momento de "vale tudo", como o nosso, em que tudo é pântano e laje ao
mesmo tempo, em que o "velho cinema" assiste à chegada de um "jovem
cinema" que confunde-se num "novo modelo de mercado", o único modo
de filmar essa agonia é reproduzindo-a com igual hemorragia na tela." Paulo
Santos Lima
Uma Garota Dividida em Dois,
de Claude Chabrol
 "Difícil
é saber por qual passe de mágica a manipulação chabroliana consegue ao mesmo tempo
ser tão fria, distante, cruel, e ao mesmo tempo soar tão humana (ao contrário
do que vemos, digamos, num Todd Solondz), estranhamente calorosa. Este é, desde
sempre, o fascínio de seu cinema." Eduardo Valente
Fim
dos Tempos, de M. Night Shyamalan
 "O
diretor realiza, ali, a operação predominante em todo o seu cinema: o resgate
da virtude em seu significado original, aplicada à vida contemporânea." Fábio
Andrade
A Espiã, de Paul Verhoeven
 "Numa
história contada por rostos, a surpreendente opção pela proporção de tela 1:2.35
se revela um precioso acerto. A horizontalidade determinante do cinemascope amplia
o campo de fuga dos primeiros planos, fazendo com que todo close up compartilhe
a composição com o espaço em que ele se encontra, aumentando o escoamento do olhar
para um mundo de possibilidades que não se encerra no ser." Fábio
Andrade
Sweeney Todd, de Tim Burton
 “E
se nenhum adulto se salva em Sweeney Todd é porque, como em A Fantástica
Fábrica de Chocolate e A Noiva Cadáver, Tim Burton parece só reconhecer
afeto construtivo nos jovens, naqueles que ainda olham para a vida com o entusiasmo
dos primeiros anos.” Fábio Andrade
Abril
de 2009 editoria@revistacinetica.com.br
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