in loco - cobertura dos festivais

Alexandre, o Último (Alexander the Last),
de Joe Swanberg (EUA, 2009) 
por Filipe Furtado

O nome de Joe Swanberg pode significar pouco para o cinéfilo brasileiro, mas ele cavou um nicho razoável dentro da cena independente americana nos últimos anos como o mais bem sucedido comercialmente entre cineastas que a crítica americana catalogou como “mumblecore” (conceito questionável que abarcou uma série de cineastas bem diferentes com filmes de baixíssimo orçamento, atores amadores e tramas em torno de personagens de vinte e tantos anos). Alexandre, o Último foi visivelmente pensado como um salto na sua carreira: é um filme de baixo orçamento (ao invés do inexistente dos anteriores), com um diretor conhecido (Noah Baumbach) como produtor e até dois atores profissionais recorrentes no meio independente (Jane Adams, Josh Hamilton) em papéis menores.

Mais importante do que isso, porém, é ver como o filme visivelmente se pretende como sendo um trabalho sobre os métodos do seu cineasta. A boa notícia para quem assistiu algum dos seus filmes anteriores (Hanna Takes the Stairs, Nights and Weekends, Kissing on the Mouth) é que a produção maior tem alguns efeitos bem positivos sobre Alexandre, o Último: desapareceram as longas cenas de improvisação que pareciam tiradas de algum workshop de atores ruim e Swanberg parece gastar algum tempo pensando onde colocar sua câmera. Em suma ter que lidar com uma produção de verdade obrigou Swanberg a abrir mão do excesso de relaxo dos seus trabalhos anteriores, sem que com isso seu filme perca os momentos de intimidade que conferiam algum interesse a eles.

Se algo limita o filme é justamente o desejo de fazer uma declaração, já que Swanberg está bem longe de ser um Jacques Rivette e suas tentativas de usar uma montagem de peça de teatro para metalinguagem não fluem bem. Algo que fica claro quando ele coloca em montagem paralela Jane Adams dirigindo dois atores numa cena de sexo com um deles fazendo sexo realmente com a namorada. No papel pode até soar como uma boa idéia, mas Swanberg é incapaz de torná-la mais que justamente um conceito. Se estas tentativas de pesar a mão na desconstrução incomodam é justamente porque a idéia central da trama rohmeriana – uma atriz tem que lidar com a tentação do excesso de química com seu companheiro de cena enquanto o marido músico viaja em turnê – por si só é mais do que o suficiente. Swanberg tem um bom olho para situações cotidianas e ele e seus atores (em especial a protagonista Jess Weixler) se mantêm em sincronia de tal maneira que muitos dos seus momentos íntimos tenham grande força. Agora que Swanberg disciplinou seu cuidado com a câmera e atores, para realizar o salto que ele parece desejar falta somente manter sua atenção no que faz realmente bem. Alexandre o Último é um filme menor, mas pela primeira vez pode-se dizer que Swanberg nos cativa por mais que alguns instantes isolados.

Outubro de 2009

editoria@revistacinetica.com.br


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